E não é que vale a pena?

Tem dia que é de ensandecer: a garotinha no carro da frente mostrando o dedo pra mim até me reconhecer e dar tchauzinho, o bate-boca com um fotógrafo na festa junina, a mãe que ensina que as regras valem pra todos – exceto pra sua filha, a criança que tem meningite e, de repente, não é mais isso (?). Não é fácil mesmo.

Mas hoje eu vi duas coisas incríveis.

Vi um garotinho de dez anos aprender a ver as horas em relógios digitais numa aula comigo. Quer dizer, um pouquinho de esforço e alguém aprende algo que é pra vida toda. Mais especial ainda se o pai desse menino tem “uma veia solta na cabeça”, a mais nova definição de aneurisma da wikipedia… Que bom que a vida segue, como nos ponteiros do relógio.

Hoje vi também a beleza ingênua dos primeiros ensaios no amor, que o tempo muda inexoravelmente (tô chique, não?). Uma filha de professora veio me contar que receberia um presente de um garoto (outro ex-aluno) e que, se a mãe a deixasse ir ao cinema ver HannaMontana (arre!), ela pegaria uma “graninha e compraria uns presentinhos pra ele também”. Que bom que eu já tinha feito campanha por esse passeio! A pureza de querer dar algo deve ser sempre cativada e cultivada, uma vez que desponte.

Estou feliz pela bênção de conseguir enxergar um pouco da abundância de vida que me rodeia. Tic tac.

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